Sem abrigo
- Mathilde Ferreira Neves

- 13 de out. de 2022
- 1 min de leitura
Encontrou uma lasca de espelho à beira-rio. Sentiu uma gravidade qualquer naquele estilhaço. Pegou-lhe e apontou-o ao rosto. Demorou a acertar com o ângulo da boca. Mirou durante longo tempo os lábios gretados, as rugas vincadas e um fio invisível que lhe atava os maxilares um ao outro e lhe impedia de dizer o que quer que fosse. Depois de se considerar atentamente, atirou a lasca de espelho ao rio. Ouviu-se "ploc".




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