Desaparição
- Mathilde Ferreira Neves

- 20 de out. de 2022
- 1 min de leitura
Tinha, desde que se lembrava, três manias diárias: beber infusões muitíssimo quentes de camomila; esfregar o lavatório antes de lavar o rosto; adormecer no chão, esgotada, num canto qualquer da casa, embrulhada no livro que andasse a ler.
Achavam que era louca. Enganaram-se. Queria apenas beber flores amargas a arder, desembaraçar o rosto numa pia lavada e dormir sem sombra de sonho nenhum.
Antes de desaparecer sem deixar rasto, escreveu na parede do quarto dela: "Não me dói nada".




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