Missiva II
- Mathilde Ferreira Neves

- 4 de nov. de 2022
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Depois do funeral, fui para tua casa. Ainda cheirava a ti. Abri persianas e janelas. Arrumei o que tinhas deixado fora de sítio. Reguei as plantas. Lavei a varanda. Esvaziei o frigorífico e retirei da cozinha tudo o que era perecível. Havia sobras da última refeição que cozinhaste. Dei-as ao gato vadio a que costumavas dar os restos e fixei essa terrível tristeza. O que parece uma fotografia vulgaríssima, é afinal uma dor tremenda, a maior.


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