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Formigueiro

  • Foto do escritor: Mathilde Ferreira Neves
    Mathilde Ferreira Neves
  • 28 de jun. de 2022
  • 1 min de leitura

Às escuras, estendia-se no chão do quarto interior da casa, vestida apenas com uma camisa de dormir leve e deixava que as formigas lhe perturbassem a pele.

Por vezes, picavam-na: sentia as suas mandíbulas microscópicas cravarem-se-lhe no peito, nas coxas, nos braços, nas pernas, no pescoço.

Vivia no topo de um prédio alto e as formigas chegavam à divisão mais recôndita da casa.

Uma vez deitada, com a epiderme em sobressalto, tentava imaginar o percurso das formigas até si: a canalização obscura e húmida, os intervalos invisíveis do chão, o interior insondável das paredes.

Nunca conseguiu completar o percurso delas: há vínculos, encadeamentos, intimidades inextricáveis.





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