Consonância
- Mathilde Ferreira Neves

- 12 de out. de 2022
- 1 min de leitura
Num colossal frasco de vidro, guardava botões com os mais variados formatos e cores.
De manhã, enquanto tomava o pequeno almoço, ia atirando os botões ao chão. Ouvia-se então uma sucessão de tilintares, breves ou retumbantes. Ao levantar-se tinha de ter cuidado para não os calcar. Quando regressava a casa, depois do trabalho, bebia chicória e apanhava os botões um a um. Alguns demoravam mais a encontrar, sumidos debaixo dos móveis ou camuflados em cantinhos de difícil acesso. De vez em quando, escapava-lhe um ou outro, que encontrava mais tarde, em nova busca ou por mero acaso. O mundo era tão absurdo quanto os seus botões - a consonância parecia-lhe importante.




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