Burilar no lodo
- Mathilde Ferreira Neves

- 4 de nov. de 2022
- 1 min de leitura
Sob chuva, garoa, névoa, sob um frio que acerta nos ossos (como um arqueiro zen acerta num alvo inexistente), uma imagem assoma: veias, artérias, músculos, tendões, nervos abandonam-me e formam diante de mim um napperon, que engomo logo com aplicação extrema. Sem deixar nenhuma ruga, nenhum nó nem vinco, estendo-o sobre o chão macerado pelo granizo.
É preciso acolher com esmero a lama.




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