Vigília
- Mathilde Ferreira Neves

- 27 de out. de 2022
- 1 min de leitura
Há pérolas na insónia, não as dês aos porcos.
Junta-as e atira-as janela fora.
Se aterrarem na terra, talvez a dor floresça
e possa ser espezinhada por estranhos
e possa amortizar os juros da miséria
e possa rachar ao meio os sonhos.
Na insónia, o corpo fica de viés.
Nessa obliquidade, a escrita interrompe abruptamente todas as linhas.
Não são poemas, são noites cortadas a limpo.



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