Slow food
- Mathilde Ferreira Neves

- 21 de jun. de 2022
- 1 min de leitura
Sentou-se à mesa. Pegou nos talheres e fateou devagar a árvore tão delicadamente disposta no seu prato. Cheirava intensamente a resina. Foi engolindo ramo a ramo a árvore. As folhas estalavam-lhe no céu-da-boca. Os cavaquitos arranhavam-lhe as paredes da garganta. As raízes enrolavam-se, com estrondo, no estômago. Bebeu de seguida um copo de água tépida e pensou: Já está.




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