Notas em seminário aberto
- Mathilde Ferreira Neves

- 12 de mar. de 2022
- 1 min de leitura
Atualizado: 8 de jun. de 2022
O Minotauro existe. Existe, existe. Mas irrealizável.
Fala-se, agora, de complexidade narrativa, de oscilação discursiva, de subjectividade matizada, de operacionalidade semântica. Eu, curiosamente, procuro simplesmente o passo. Para mim: tudo tão, tão elementar.
Hipálage, quando?
Singularidade, como?
Ai, a pretensão ao engano.
Trágico é ser grotesco, cómico é não se chorar disso.
Fica-se assim: destruído, nu, sem lágrima que possa lavar a pena que se tem de si mesmo e do outro, como um cão danado que ladra até a espuma, no focinho amontoando-se, fervendo, o asfixiar de raiva. Essa espuma da boca de cão danado, devia servir-se em copos de cristal e beber-se em noites escuras, muito escuras, sem expectativa nem brinde nenhum.
Não há ironias.
Há uma dimensão fetichista evidente. Depois, apara-se a pena entre o melodrama e a farsa.
Ser-se oblíquo ajuda, parece.
É triste apresentarem-se filmes escavacados nas paredes de seminários doutos. O cinema reduzido a pedaços, pedaços pálidos, desfocados, ardidos, sem espessura nenhuma. E o som a parar, a soluçar cheio de interferências porcas. O cinema desfiguradíssimo e surdo, pobre diabo. E a conversa inteligente profundamente convencional em torno disso. Fundo desajuste. Poesia assassina. Sem vão, sem leque. Sem nada.
A vida, um lentíssimo e bizarro travelling. Labirinto sem “acção” nem “corta”.
Engano ou frémito?
Estou aqui morta. Cheia de sede, sempre.
O cão?
Imutável artificialismo.




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