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- Mathilde Ferreira Neves

- 13 de abr. de 2022
- 1 min de leitura
Atualizado: 14 de mai. de 2022
Os pássaros são agitados e inquietos por natureza.
Intuitivamente, reagem de forma imediata aos mais diversos estímulos e impulsos.
A existência de um pássaro rege-se por uma série de instintos que podemos dividir em três categorias:
a procura e garantia de alimento, a fuga e o ataque, a socialização e a reprodução.
Para além destes instintos intrínsecos, a existência dos pássaros inclui uma capacidade de memória e de aprendizagem, baseada no princípio de tentativa-erro. Os pássaros são capazes de lembrar-se sobretudo das más experiências.
Sebastião Alba assentou no desvio.
Vagueou, sobretudo, na dor dilacerante dele que era reflexo da do mundo.
Escreveu de modo a cercar inexactidões.
Praticou o chilreio para espantar versos mal contidos.
Cultivou-se para ser livre.
Amou como quem erra.
Errou como se não se pudesse acertar senão no defeito.
Quando o atropelaram mortalmente, os pássaros deixaram de rimar.
E na siringe deles, em vez de trinados, ouviram-se lâminas a trinchar poemas.
A beleza, pujante, é brevíssima.
Os selvagens sabem disso.






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