Banquete
- Mathilde Ferreira Neves

- 27 de jun. de 2022
- 1 min de leitura
Começou pelas folhas secas que fermentavam na terra. Seguiram-se depois os rebentos. Logo passou aos ramitos e aos galhos. Lançou-se então ao tronco e terminou nas raízes. Devorou tudo às escondidas de noite, o estômago feito num oito de floresta e as veias de seiva branca pulsando à flor da pele.
Quando o lugarejo acordou, viu-se sem árvores e com uma mulher descarnada, estendida no meio da praça.
Os pássaros, desesperados, fugiram para onde as pessoas não minguassem na devoração de si mesmas.









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